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domingo, 27 de setembro de 2009

Guiné-Bissau: China concede seis milhões de euros para aprofundar relações


A China assinou com a Guiné-Bissau um acordo para cooperação técnica e assistência alimentar e financeira no valor de seis milhões de euros.O acordo, assinado pelo ministro da Defesa da Guiné-Bissau, Artur Silva, e pelo ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros da China, Xhai Jun, pretende aprofundar as relações já existentes entre os dois países. Artur Silva disse à imprensa «estar convicto de que a visita de trabalho que o governante chinês efectua à Guiné- Bissau irá sem dúvida relançar as excelentes relações já existentes entre os dois países para patamares mais altos».Xhai Jun afirmou, acerca da assinatura do acordo, que este «constitui para ele uma satisfação muito particular ter a oportunidade de assinar em nome do Governo da China o protocolo de cooperação técnica com a Guiné-Bissau e um documento sobre o fornecimento de assistência alimentar». O ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros chinês focou ainda a «vontade forte» do Governo da China de continuar a desenvolver as relações de cooperação bilateral com a Guiné-Bissau.Prevê-se que, dos seis milhões de euros, 998 mil euros sejam direccionados para a assistência alimentar e 5,9 milhões digam respeito ao apoio financeiro. Artur Silva pediu ainda ao Governo chinês apoio para a construção da «cidade judiciária», projecto que se encontra em fase de finalização.Xhai Jun iniciou a semana passada uma deslocação por quatro países africanos que teve início na África do Sul, passa pela Guiné-Bissau, Cabo Verde e Mauritânia e que tem o intuito de «aprofundar relações bilaterais». A China tem uma presença cada vez maior em África, somando em 2008 o comércio com o continente africano a quantia recorde de 72,5 mil milhões de euros.
Fonte: Bissau Digital

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Parlamento chumba presença de observadores nacionais nas eleições


O Parlamento da Guiné-Bissau rejeitou terça-feira uma proposta de lei que permitia a presença de observadores nacionais nas eleições, disse à agência Lusa o presidente da comissão dos assuntos jurídicos, Humberto Có. Segundo Humberto Có, a maioria dos deputados não concordou com a proposta de lei que deveria permitir que observadores nacionais, confissões religiosas e elementos das organizações da sociedade civil participassem na fiscalização dos actos eleitorais. “A maioria não concordou e a proposta foi chumbada. A maioria achou que os elementos da sociedade civil não devem fiscalizar as eleições. Essa tarefa fica a cargo dos observadores estrangeiros, como tem sido até aqui”, declarou o presidente da comissão especializada pelos assuntos jurídicos do Parlamento. A proposta chumbada tem sido uma das recomendações propostas pelas organizações internacionais, nomeadamente a União Europeia. Em relação a proposta de alteração à lei eleitoral, a principal novidade é a introdução de dispositivos legais que fixam cauções monetárias aos candidatos às eleições presidenciais e legislativas. Assim, quem quiser ser Presidente da República terá que depositar no Tesouro Público e juntar respectivo talão de depósito de 15 milhões de francos CFA (22.867 euros) e os partidos ou coligações de partidos que se apresentam às eleições legislativas 2,5 milhões de francos CFA (3.800 euros). Também a proposta da nova disposição legal, prevê que os partidos que não atingirem determinados resultados eleitorais deverão ser extintos automaticamente ou por coação do Supremo Tribunal de Justiça. As duas propostas deverão ser analisadas e submetidas em votação entre quarta e quinta-feira, disse à Lusa Humberto Có. A passagem da competência de organização e execução do registo de eleitores do governo para a Comissão Nacional de Eleições (CNE) é outro dos assuntos que também devera ser submetido a votação da plenária da ANP, reunida em sessão ordinária até sexta-feira.
Fonte: Lusa

quarta-feira, 4 de março de 2009

Guiné-Bissau: Testemunha de ataque contra PR "Nino" Vieira conta que guardas fugiram

Bissau, 04 Mar (Lusa) - Uma testemunha do ataque contra o Presidente da Guiné-Bissau contou à Agência Lusa que a guarda do antigo chefe de Estado fugiu e que entre quatro a cinco homens ficaram a defender "Nino" Vieira.
"A guarda fugiu. Fugiram todos", afirmou a testemunha.
Segundo a testemunha, os homens que ficaram a defender o Presidente estavam a responder ao ataque, mas terão alegadamente ficado sem munições.
Quando ocorreu o ataque, estariam em casa de "Nino" Vieira, sem contar com a segurança do Presidente, pelo menos seis pessoas, nomeadamente uma empregada e vários assessores da Presidência guineense.
A testemunha contou que o Presidente esteve a trabalhar até tarde no dia de domingo com os elementos da sua assessoria por causa do atentado à bomba contra o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waié, horas antes.
"O Presidente esteve reunido com as chefias militares e com o ministro da Defesa", afirmou a testemunha.
Segundo a mesma fonte, o Presidente "Nino" Vieira também esteve para se reunir com o primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, mas a reunião acabou por ser adiada para segunda-feira de manhã por "razões de segurança".
"Por volta das 03:00 (mesma hora de Lisboa) fomos avisados pela segurança que a casa estava cercada", afirmou à Lusa, sublinhando que cerca das 04:00 começaram a ser disparados os primeiros tiros.
Nessa altura, os assessores do Presidente e a emprega tentaram sair de casa pelas traseiras, mas um elemento ficou ferido por estilhaços provocados pelo lançamento de uma granada e acabaram por se refugiar num anexo das traseiras da habitação.
Em casa, ficou o Presidente "Nino" Vieira e a primeira-dama, Isabel Vieira, acrescentou a testemunha.
Os tiros e o ataque acabaram cerca de uma hora mais tarde.
Já ao início da manhã, os sobreviventes do ataque à residência do Presidente foram descobertos pelos militares, a quem pediram para não ser mortos.
"Eles responderam: Não temos nada contra vocês. Podem ir-se embora", contou a testemunha.
O ataque contra o Presidente "Nino" Vieira provocou também a morte de um adjunto de segurança e ferimentos no assessor de imprensa da presidência, segundo os dados oficiais, que referem também a existência de três feridos e um morto no atentado à bomba no Quartel-General.
O funeral de "Nino" Vieira realiza-se segunda-feira às 11:00 (mesma hora em Lisboa) e o de Tagmé Na Waié já na quinta-feira.

terça-feira, 3 de março de 2009

Nino Vieira e Tagmé Na Wai assassinados

A República da Guiné-Bissau foi ontem, mais uma vez, palco de violência. Desta vez tratou-se de ataques bombistas durante a madruga e manhã. No Estado Maior General das Forças Armadas do país uma violenta explosão pôs termo à vida do chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), general Baptista Tagmé Na Waie. Poucas horas depois era assassinado, na sua residência, o presidente da República, “Nino” Vieira. Em Moçambique o chefe de Estado, Armando Guebuza, evidenciando grande nervosismo e emoção já condenou o assassinato do seu homólogo “Nino” Vieira. Em Lisboa, Mário Soares, comentando a morte de “Nino” Vieira disse que se tratava de um homem muito violento que acabou com violência. Um velho ditado reza que “quem com ferro mata, com ferro morre”. Vieira fora deposto com um golpe de Estado mas voltou ao poder anos depois. A viúva de Nino e familiares estão refugiados na Embaixada de Angola em Bissau. Os militares em Bissau já declararam que não está em curso qualquer golpe de Estado e garantiram que a ordem constitucional continuará a ser respeitada. A situação na Guiné-Bissau foi já dada como estando sob controlo depois dos distúrbios que culminaram com o assassinato do Presidente João Bernardo "Nino" Vieira e do chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), general Baptista Tagmé Na Waie, mas a população continua muito instável e receosa dos próximos desenvolvimentos. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general Batista Tagme Na wai, e o presidente, foram ambos assassinados em atentados com intervalo de poucas horas, na madrugada de segunda-feira. Ambos ataques não foram reivindicados, mas está claro que pelo menos o ataque que vitimou “Nino” Vieira pode ter sido uma retaliação de militares fieis ao general Na wai. No atentado à bomba no Estado-Maior, que causou a morte do inimigo assumido de Nino Vieira, resultou também a morte de outras 5 pessoas e um ferido em estado grave. Numa entrevista dada há uns anos atrás pelo general Na Waie, este acusou “Nino” Vieira de o ter mandado torturar com choques eléctricos nos testículos. Pouco depois do assassinato do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o paradeiro do presidente João Bernardo “Nino” Vieira, foi dado como desconhecido mas não tardou que a sua morte fosse também confirmada. Segundo relatos, militares leais ao chefe do Estado-Maior assassinado terão invadido a residência presidencial e assassinado Nino Vieira, mas esta versão ainda não foi oficialmente reconhecida. Houve várias explosões em Bissau. O estrondo mais forte deu-se de madrugada no quartel do Estado-Maior, mas a casa de Nino Vieira foi parcialmente destruída com outras explosões e posteriormente foi pilhada por populares. Depois de uma recente tentativa de golpe de Estado frustrado a 23 de Novembro do ano passado, durante um ataque a sua casa engendrada por soldados amotinados na tentativa de afastar “Nino” do poder, mais uma vez esta segunda-feira a cidade de Bissau virou campo de batalha. Disparos de armas ligeiras e explosões fizeram-se ouvir próximo da casa do presidente. Como causa são citadas as rivalidades entre o presidente “Nino” Vieira e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Batista Na Wai mas não está posta de parte a hipótese das acções terem sido suscitadas por cartéis de droga existentes na Guiné-Bissau envolvidos com lobbies presidenciais e militares. A Guiné-Bissau foi nos últimos anos palco de vários golpes de estado e actualmente é considerada um ponto estratégico de trânsito de droga proveniente da América do Sul, e que a partir dali é canalizada para os vários quadrantes da Europa e outros continentes. Actualmente tem a servir de placa giratória carteis de droga instalados e nos quais se afirma que estão envolvidos vários interesses, designadamente alguns de oficiais das forças armadas. O fecho das duas rádios e da televisão nacional foi ordenado pelos oficias do exército na sequência da situação que se desenrolava. De acordo com o porta-voz das Forças Armadas, Samuel Fernandes, as estações foram encerradas para permitir maior segurança dos jornalistas. Numa das rádios o porta-voz disse: “para vossa segurança devem encerrar as estações”. O mesmo porta-voz também afirmou que se vai perseguir e capturar os perpetuadores dos ataques. Em resultado dos ataques bombistas o Conselho de Ministros daquele país reuniu-se de emergência com oficiais das Forças Armadas. Depois do encontro o primeiro-ministro elogiou o espírito patriótico dos militares. “O EMGFA recomenda às populações a manterem a calma e a evitarem o abandono das suas residências para se refugiarem nos países da sub-região", sublinha uma nota publicada em Bissau. No documento, o EMFGA reafirma o seu compromisso e firmeza em obedecer às instituições republicanas democraticamente eleitas. A nota foi assinada pelo capitão de fragata José Zamora Induta, vice-chefe do Estado-Maior da Marinha. Segundo a nota, uma comissão de chefes militares foi criada imediatamente "para gerir a crise". Mas alguns cidadãos comuns contactados em Bissau afirmaram unanimemente que "a situação não está de modo algum sob o controlo dos militares que deram conta da fuga dos próximos do (falecido) presidente Vieira que estão a ser procurados". Relativamente à situação, em geral, os principais eixos rodoviários da capital estão cercados pelos militares, enquanto os estabelecimentos comerciais, bancos e as fronteiras se mantiveram fechados até ao fim da tarde de segunda-feira. Nas ruas da capital, a circulação é escassa e as populações são obrigadas a andar a pé, refere um despacho da PANA. O presidente Nino Vieira nasceu em 1939. Figura chave na luta armada contra o regime colonial Português, foi ele que proclamou a independência da Guiné, em 1973, mesmo antes do derrube do regime fascista em Portugal. Em 1980 Nino subiu ao poder através de um golpe de estado, como chefe das Forças Armadas. Em 1994 vence as primeiras eleições multipartidárias do país. Em 1999 é derrubado depois de ter demitido o Chefe do Exército, Assumane Mané que depois viria a ser assassinado pouco depois de Vieira ter reassumido o poder, ao regressar em 2005 do exílio para vencer as eleições presidenciais.

Fonte: Canal de Moçambique