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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Investimentos na silvicultura criam empregos no Niassa, Moçambique


Perto de três mil postos de trabalho, entre efectivos e sazonais, foram criados na província do Niassa nos últimos cinco anos devido a investimentos em silvicultura, de acordo com o jornal Notícias, de Maputo.Adiantando que a província do Niassa dispõe de um potencial florestal avaliado em 676 mil hectares, o jornal indica que estão envolvidas no reflorestamento, com objectivos comerciais, as empresas Chikweti Forest, Fundação Malonda, Florestas do Niassa, Green Resources e New Forest Malonda.De 2005 até ao início de 2008 foram plantados na província cerca de 10.180 hectares, dos quais 118 nas comunidades, 88 nas áreas do Estado (pinhal em volta da capital Lichinga) e 9974 hectares pelo sector privado.Mesmo assim, segundo dados facultados pela Direcção Provincial da Agricultura de Niassa, em termos de aproveitamento do potencial, a área plantada pelo sector privado corresponde a apenas 1,5 por cento da capacidade.A expectativa das autoridades provinciais é de que o número de postos de trabalho, bem como a área plantada, venha a crescer nos próximos anos atendendo que aquele ponto do país tem sido, nos últimos anos, o destino de investimentos para a área de plantações florestais.De acordo com a Direcção Provincial da Agricultura do Niassa, os recursos florestais e faunísticos têm uma especial importância naquela província, dada a sua dimensão ambiental, social e económica.Com efeito, estudos recentes indicam que em termos absolutos, Niassa possui a maior cobertura florestal do país, estimada em 9,4 milhões de hectares, significando que 77 do seu território está coberto por floresta, que alberga grande quantidade de espécies de flora e fauna bravia.
Fonte: Notícias

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Socremo ensina população a poupar seus rendimentos


O banco realiza rodshow´s pelos principais mercados de Maputo para difundir aos vendedores locais sobre como poupar o seu dinheiro
O Banco Socremo está a promover, na cidade de Maputo, roadshow´s, visando sensibilizar os cidadãos para pouparem os seus rendimentos. O principal público-alvo da acção da SOCREMO são os vendedores dos mercados, por isso mesmo os roadshow´s terão lugar nos principais mercados de Maputo. Segundo informação do banco enviada à nossa redacção, o evento vai directamente aos mercados mais importantes de Maputo, e está totalmente direccionado para as populações, sendo o foco centrado no conceito de que “poupar é importante e compensa”. A Socremo considera que o conceito adoptado é especialmente oportuno no actual contexto e na visão do Banco, onde se sente a necessidade e a importância de poupar. Os roadshow´s englobam três vectores, nomeadamente estimular e incentivar os moçambicanos e as famílias a poupar; sensibilizar e aconselhar a população sobre os benefícios de ter uma conta bancária, exemplos de como colocar as poupanças a render e quais os tipos de créditos que melhoram o negócio; promover a necessidade e a importância de abertura de contas. Isto é feito através da demonstração em peças teatrais que incluem animação e exemplificação à população de como fazer a poupança dos seus rendimentos, para além da interacção com a população e com toda a equipa da Socremo. O banco considera que a medida tem trazido frutos, onde se destacam aberturas de contas aos excluídos do sistema bancário, noções de como adquirir os melhores créditos e de como cumprir com as obrigações de banco. O roadshow iniciou no dia 28 de Setembro e percorreu os mercados de Benfica, de Boane, da Matola, de Xipamanine e na sexta-feira termina no Fajardo. Nos próximos meses irá percorrer os principais mercados do país. A Socremo continua a apostar no desenvolvimento de produtos e serviços adequados ao mercado moçambicano, e na captação de poupanças, como sua estratégia global. Durante o tempo da sua existência, a Socremo vem promovendo acções que visam angariar mais clientes e incutir nos cidadãos o espírito de poupança. Desde Janeiro até Agosto de 2009, o banco obteve um crescimento na sua carteira de depósitos de 33,89%, e na carteira de crédito um crescimento de 9,64%, segundo dados desta instituição financeira. Mas por outro lado, a angariação de novos clientes é acompanhado da expansão em termos de infra-estruturas. O banco anuncia que brevemente estará presente com novas Agências na cidade de Manica, na vila de Boane, e na Av. 25 de Setembro, em Maputo.
Fonte: Canal de Moçambique

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Portugal e Moçambique criam banco de investimento


Linha de crédito de 300 milhões dá preferência a projectos com construtoras nacionais.
Os governos de Portugal e Moçambique formalizaram ontem a criação de um banco de investimento, com capital social de 500 milhões de dólares (344,5 milhões de euros) e que terá sede em Maputo e uma sucursal em Lisboa. Além disso, foi criada uma linha de crédito de 300 milhões de euros destinada a financiar projectos em que estejam envolvidas construtoras portuguesas.
Nos termos do memorando de entendimento, ontem assinado em Maputo pelos ministros das Finanças dos dois países, o banco de investimento será financiado em partes iguais pela Direcção Nacional do Tesouro de Moçambique e pela Caixa Geral de Depósitos, instituição que já detém uma participação de 50% do moçambicano Banco Comercial de Investimentos (BCI).
Fonte: Jornal o Público

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Caju, madeira e algodão rendem 12.6 milhões USD


As exportações das principais culturas de rendimento, nomeadamente caju, madeira e algodão, renderam ao país, no período 2005/2008, mais de 12.600 mil dólares norte-americanos.
Entretanto, a crise financeira internacional, os combustíveis, a baixa de preços de algumas culturas e problemas registados no sistema de fomento afectaram grandemente o volume de receitas que o país esperava encaixar para o sistema económico e financeiro. O Director Nacional da Economia no Ministério da Agricultura, Vitoriano Xavier, disse à nossa reportagem que esse período foi caracterizado por um misto de problemas, principalmente nas culturas de algodão e caju.
Explicou que as campanhas agrícolas 2005/2007 foram caracterizadas por uma alta de produção, mas na última safra as culturas de algodão e caju registaram uma baixa significativa devido às calamidades, flutuação de preços no mercado externo, fraca aderência dos produtores devido ao aparecimento de novas culturas, nomeadamente gergelim e a batata-reno, entre outros factores.
O nosso entrevistado afirmou que quando há flutuação de preços, o Governo, as empresas fomentadoras e os produtores são afectados, porque os níveis de captação de receitas previstos não são alcançados.
No caso particular da madeira, a fonte referiu que os efeitos negativos foram maiores, uma vez que deixou de ter maior procura na indústria de construção civil internacional. “Houve um grande abrandamento na procura da madeira” , disse a nossa fonte, para quem muitas serrações encerraram e dois mil trabalhadores perderam os seus empregos na área da agricultura.
De acordo com Vitoriano Xavier, os sectores que dependiam das receitas florestais sofreram um corte, a exemplo do Fundo de Desenvolvimento Agrário. Sobre a estratégia do Governo no sector agrícola para debelar a crise, Vitoriano Xavier disse que o Governo está a explorar as oportunidades a nível internacional, para socorrer algumas situações provocadas pela crise financeira internacional. Sem adiantar os valores disponíveis, a fonte referiu que o Governo tem um fundo para amortecer as despesas das empresas cujas finanças foram afectadas pela crise. Quanto ao sector público que também foi afectado, o Governo vai reforçar os orçamentos para a cobertura do défice.
O Governo tem vindo a acompanhar a crise e, para o efeito, criou um gabinete de acompanhamento da crise. Este gabinete está a identificar as áreas mais afectadas e as dificuldades que estão a enfrentar.
Sem avançar dados, a nossa fonte disse que o sector de açúcar registou um grande avanço.
Fonte: Notícias

terça-feira, 14 de julho de 2009

Para África e Ásia: Injectados fundos para o sector privado


MOÇAMBIQUE integra uma lista de seis países de África e Ásia, nomeadamente, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, beneficiários de um fundo de quinhentos mil euros, para apoio ao desenvolvimento do sector privado. O IFC – International Finance Corporation, um membro do Grupo do Banco Mundial, acaba de assinar um acordo com o Ministério português das Finanças e Administração Pública, visando o estabelecimento do referido fundo.
Através daquele montante, o IFC e Portugal vão apoiar tais projectos sendo que este país vai fornecer o capital para o fundo, que será gerido pelo IFC.
O enfoque será para a provisão de serviços de assessoria ao público e parceiros do sector privado nestes países lusófonos, com o objectivo de ajudar a melhorar o clima de investimentos, promover o crescimento de pequenas e médias empresas e apoiar o acesso a finanças e desenvolvimento de infra-estruturas.
Thierry Tanoh, Vice-Presidente do IFC para África Subsahariana e Europa do Leste afirmou que, “acolhemos com agrado o apoio de Portugal para as actividades de serviços de assessoria nos países lusófonos, particularmente Timor-leste. A construção de parcerias a longo prazo com doadores como Portugal constitui um elemento crucial da nossa estratégia para a provisão de serviços dirigidos de assessoria, com um forte impacto de desenvolvimento no terreno”.
Fernando Teixeira dos Santos, Ministro português de Estado e Finanças, realçou o seu empenho em reforçar e expandir a sua cooperação e assistência de desenvolvimento com lusófonos.
O acordo foi assinado em Lisboa, na Reunião dos Ministros das Finanças da Comunidade de Países de Expressão Portuguesa, actualmente presidida por Portugal.
O IFC, um membro do Grupo do Banco Mundial, “cria oportunidades para as pessoas vencerem a pobreza e melhorarem as suas vidas. Promovemos um crescimento económico sustentável nos países em desenvolvimento, através do apoio ao crescimento do sector privado, mobilização de capitais privados e provisão de serviços de assessoria e mitigação de riscos a negócios e governos. Os nossos novos investimentos totalizaram $16.2 biliões no ano fiscal de 2008, um crescimento de 34 por cento em relação ao ano anterior “ - disse Thierry Tanoh.
O Ministério de Finanças e Administração Pública de Portugal é responsável pelas relações institucionais com as Instituições Financeiras Internacionais, entre as quais o Grupo do Banco Mundial. É igualmente encarregue pela gestão dos Programas Integrados para a Cooperação e Assistência Técnica em Finanças Públicas (PICATFin), presentemente em implementação em Angola, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe e Moçambique.
Fonte: Notícias

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Governo de Portugal cria fundo para iniciativas empresariais em Moçambique

O governo português vai criar um fundo para permitir o acesso ao crédito bonificado às iniciativas empresariais em Moçambique ligadas à cooperação portuguesa, anunciou quarta-feira em Lisboa o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação."É um fundo do IPAD - do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento - que tem como base nove milhões de dólares e vai permitir alavancar 80 milhões a 90 milhões de dólares em investimento" naquele país, particularmente na zona da Ilha de Moçambique, disse à agência noticiosa portuguesa João Gomes Cravinho.João Gomes Cravinho, que falava à margem do seminário sobre "Desenvolvimento Económico Sustentável nos Recursos Naturais: Parcerias Público - Privadas", iniciativa integrada nos "Dias do Desenvolvimento", adiantou que o fundo do IPAD vai ser lançado na segunda quinzena de Junho próximo.Durante o seminário, o secretário de Estado defendeu que o futuro da cooperação portuguesa "deve girar em torno da problemática da internacionalização empresarial", em áreas como a das energias renováveis, mas respeitando aquilo que são as normas da ajuda pública ao desenvolvimento.
Fonte: Club of Mozambique

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Serviços básicos passaram a ser produto de venda e lucro em África

Os serviços básicos que devem ser providenciados pelo Estado em benefício do cidadão passaram a ser produtos de venda e lucro para os governantes e líderes dos países africanos, incluíndo Moçambique.
A constatação é do professor Issa Shivji, especialista em estudos Pan-Africanos na Universidade de Dar- Es-Salaam, República Unida da Tanzânia, durante a segunda conferência do Instituto dos Estúdios Sociais e Económicos, sobre o tema “Dinâmica da pobreza e padrões de acumulação económica em Moçambique”.
Segundo Shivlij, os serviços que são de vital importância para as populações dentre outros, a educação, produção de alimentos, água, saúde, energia e a terra, que deviam ser subsidiados pelo Estado são tomados pelos regimes governamentais africanos como sua propriedade, chegando ao extremo de os comercializar como se fossem produto de compra e revenda, para poderem desenvolver uma espécie de acumulação primitiva do capital.
Tal cenário de acordo com a fonte, resulta no recrudescimento da pobreza nos países africanos em particular Moçambique, tendo salientado na ocasião que “apesar de os países africanos estarem a dar sinais de crescimento económico, nota-se que o fosso entre as camadas sociais favorecidas e desfavorecidas, aumenta, verificando-se que os ricos tornam-se cada vez mais ricos e os pobres mais pobres”, frisou.
Apontou dentre outros factores que contribuem para a situação actual, o facto dos respectivos governos africanos não terem uma agenda genuinamente africana e que se adapta a realidade local, limitando-se a aplicar fielmente as regras ditadas pelas maiores agências financiadoras mundiais, nomeadamente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BIRD).De acordo com Shivji, a situação é tão preocupante que até as novas gerações não têm auto estima e confiança, não sabem quem são e donde vem, e o que devem fazer para saírem da situação da dependência em que se encontram, optando por seguir o sistema pedinte vigente há longos anos.
Outro factor apontado é a destruição e privatização das indústrias africanas básicas, nomeadamente a têxtil, alimentar, de calçado e de óleos alimentares, o que criou uma sociedade economicamente forte, caracterizada por investimentos estrangeiros, o que torna o Estado frágil.
A liberalização do sector financeiro, com o capital a ser dominado pelo sector privado, maioritariamente estrangeiro, também contribuiu em grande medida para o aumento da pobreza e acumulação fácil de riquezas por parte de grupos sociais privilegiados, situação que põe em causa a legitimidade do próprio Estado, propiciando o sofrimento das populações, principais produtores desta riqueza.
Finalizando salientou que está a surgir nos dias que correm, um neoliberalismo africano caracterizado, dentre outros, através de investimentos especulativos que não contribuem para o desenvolvimento dos países.
Estes factores, acabam por propiciar a distribuição desigual dos recursos. Os Estados segundo o orador, estão mais militarizados do que no final da Segunda Guerra Mundial, salientando que “este facto originou um aumento de conflitos no continente africano.
O encontro promovido pelo Instituto dos Estudos Sociais e Económicos termina ainda hoje e conta com a participação dos representantes de várias organizações que se dedicam à investigação sociais e económicas em Moçambique, economistas e gestores.
Por seu turno, Nuno Castel-Branco, director do IESE disse que, o encontro tem por objectivo promover debates em torno da problemática da acumulação de riqueza, seus autores e o impacto na economia moçambicana.
Fonte: Club of Mozambique

terça-feira, 21 de abril de 2009

Bolsa de Valores vai admitir Pequenas e Médias Empresas

A Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), Instituto de Gestão de Participações do Estado (IGEPE) e a Confederação das Associaçoes Económicas de Moçambique (CTA) assinam esta quarta-feira um acordo que deverá dinamizar o mercado de capitais para Pequenas e Médias Empresas (PME´s) em Moçambique, segundo informações da "Televisão de Moçambique" (TVM).O acordo a assinar na quarta-feira, refere a TVM, trata-se de um mecanismo de garantia para uma cooperação estratégica integrando quadros das da BVM, IGEPE e CTA. O envolvimento destas três instituições, acrescenta, é fundamental na sensibilização, educação e formação de todos os intervenientes no mercado de capitais, desde o público até às classes profissionais, passando pelas empresas e instituições financeiras.De acordo com a TVM, a BVM está a promover a criação de um Segundo Mercado de Cotações, destinado à admissão em Bolsa de empresas de pequena e média escala. O enfoque dado às PME´s na BVM, deve-se a importância deste grupo de empresas no desenvolvimento económico, sobretudo na livre iniciativa e criação de oportunidades de emprego.
Fonte: Moçambique Hoje

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Investir em África

O ano passado foi negro para as acções mundiais. África não escapou. Ainda assim, os analistas consideram que há oportunidades únicas de investimento na região. Mas a promessa de retornos elevados acarreta riscos altos. A instabilidade política e a falta de transparência são as principais ameaças ao investimento.Depois da Ásia, África poderá ser o próximo continente que promete superar os retornos das bolsas mundiais. Os elevados ritmos de crescimento, associados à grande riqueza de recursos naturais, nomeadamente o petróleo, e o elevado potencial da procura interna oferecem oportunidades de investimento únicas. Mas os riscos são grandes e exigem paciência. Trata-se de países caracterizados pela forte instabilidade política, marcados por bolsas com pouca liquidez e falta de transparência. Ainda assim, os especialistas não têm dúvidas: o risco compensa.Apesar de terem sido menos penalizadas do que as restantes praças mundiais, as bolsas africanas não escaparam ao sentimento negativo e também foram arrastadas pelas quedas.Ainda assim, África continua afastada dos problemas de endividamento que estiveram na origem da crise mundial. As economias da região beneficiam ainda de elevados ritmos de crescimento, acima dos países desenvolvidos, bem como de um enorme potencial em termos de consumo interno, que ainda se está a desenvolver. Por isso, para os gestores de activos, África está na linha da frente para beneficiar com uma retoma económica e a emergência da China como uma grande potência global."África é a última região do mundo a beneficiar do fenómeno da globalização, seja pelos aspectos de enquadramento demográfico, muito favorável a uma expansão da procura interna a partir dos níveis muito baixos actuais, ou ainda pela melhoria significativa da estabilidade política e da situação financeira de um grande número de países africanos", explicou ao Negócios , Ricardo Graça Santos, gestor da ESAF. Na opinião do responsável, há no continente "uma enorme oportunidade de investimento", destacando a aposta em países como a África do Sul, Egipto, Maurícias, Marrocos ou Quénia.Opinião semelhante tem Francis Beddington, do Insparo Asset Managment, que destaca o facto de a região ter sido menos afectada pelo "abrandamento global do que a maioria das regiões do mundo". Além disso, o mesmo responsável realça que "as últimas previsões do FMI, que nós consideramos conservadoras, apontam o crescimento africano como o segundo mais rápido do mundo, depois da China", dados que justificam a aposta na região. Para Francis Beddington, "as telecomunicações, os seguros, a banca de retalho e o imobiliário são os sectores que beneficiam com o desenvolvimento de uma classe média africana".Mais aberturaA maior abertura à fixação de empresas estrangeiras nos países africanos é outro dos catalisadores da região. "A estabilidade política tem permitido que a fixação de multinacionais em África acelere e potencie o consumo doméstico e crie emprego, conferindo maior estabilidade aos rendimentos e criando condições para que um ciclo virtuoso de crescimento possa ter início", acrescentou Ricardo Graça Santos.Mas, se as possibilidades de retorno elevados são grandes, também os riscos o são. Embora tenha observado algumas melhorias nos últimos anos, África continua a ser um continente marcado pela falta de transparência e pela instabilidade política. "Estes mercados continuam a sofrer de uma liquidez limitada e pouca transparência", explicou o gestor da Insparo Asset Managment. Ainda assim, o responsável salienta que estes riscos são os mesmos que há noutros emergentes e os retornos são, na maior parte das vezes, mais altos.De Continente perdido a terra de oportunidades"Não é correcto ser pessimista em relação a África. Está a tornar-se numa terra de oportunidades e não uma terra de pobreza e de ajuda internacional". O prognóstico é de Jose Gijon Spalla, economista-chefe da OCDE para o continente africano.Nesta década, e pela primeira vez, o continente obtém taxas de crescimento superiores aos países industrializados. O processo de democratização na maioria das ditaduras e a redução dos conflitos armados favorecem o ambiente de negócios e alteram a forma como o resto do mundo olha para o continente negro. "Há mudanças muito significativas", sustenta Patrícia Ferreira, do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais. Hoje, há dois conflitos abertos: no Sudão e no Congo. Os restantes são mais crises estruturais e tensões sociais. O Zimbabué é um bom exemplo. "Não são democracias perfeitas", reconhece Spalla, mas o progresso é gritante.Períodos de forte crescimento não são inéditos em África. Mas a décadas de fulgor, seguiram-se períodos de recessão profunda e pobreza extrema. O que é que impede que este cenário se volte a materializar? O perdão da dívida pelos países desenvolvidos foi fulcral, oferecendo uma folga para uma melhor gestão macroeconómica e orçamental. Permitiu criar almofadas financeiras em períodos de "boom" para serem utilizados em épocas de travagem do crescimento, algo que não existia no passado. Há uma maior integração regional - como a União Africana criada em 2002 -, que desempenha um papel fundamental. Houve progressos no funcionamento das instituições e nas boas práticas governamentais. E passou a ser dado melhor uso às ajudas internacionais. As estatísticas do Banco Mundial revelam que os países africanos se mantêm no fundo da tabela quando se analisam indicadores sobre o ambiente de negócios, mas é aí que há progressos mais significativos.Perigos à espreitaA actual crise não poupa ninguém. Nem África. As previsões das organizações internacionais, que há poucos meses, estimavam um crescimento em torno de 5% este ano, avançam agora com previsões de uma subida entre 2% e 3% no PIB. Nada mau quando se compara com a recessão profunda e prolongada que se espera para o mundo industrializado. Só a Alemanha deverá ter este ano uma contracção superior a 5% e os EUA dificilmente conseguirão evitar uma queda de 4%. Até aqui, a China "substituiu" o vazio de investimento estrangeiro deixado em África pelos países ocidentais. Patrícia Ferreira revela que "ainda não se nota uma retracção dos investimentos da China, mas é expectável que venha a ocorrer à medida que a crise se aprofunda".O perigo para África reside na crise global. Se for muito mais profunda e longa do que se estima hoje, então nem mesmo o gigante asiático lhes poderá valer. E, nesse caso, as finanças públicas, que dificilmente encontram alternativa ao petróleo para a obtenção de receitas fiscais, poderão minar o progresso económico do continente.
Fonte: Jornal de Negócios

sábado, 4 de abril de 2009

As principais palavras da cimeira G20

O comunicado final da cimeira dos dirigentes do G2 que reuniu países ricos e emergentes em Londres destaca os seguintes pontos e frases.
"Enfrentamos o maior desafio dos tempos modernos colocado à economia mundial. Uma crise que se agravou desde o nosso encontro, que atinge as vidas de mulheres, de homens, e de crianças em todos os países e face à qual todos os países têm de unir-se para a resolver. Uma crise mundial pede uma solução mundial".
"Partimos do princípio de que a prosperidade é indivisível, que o crescimento para ser duradouro tem de ser partilhado (...)", Pensamos que o único fundamento seguro de uma globalização sustentável e o aumento da prosperidade para todos é uma economia aberta fundada no princípio de mercado, numa regulação eficaz e instituições mundiais sólidas".
"Comprometemo-nos hoje a fazer tudo o que é necessário para :
- restabelecer a confiança, o crescimento e o emprego
- reparar o sistema financeiro para restabelecer o crédito
- reforçar a regulação financeira para manter a confiança
- financiar e reformar as nossas instituições financeiras para ultrapassar esta crise e impedir outras
- promover o comércio mundial e o investimento e rejeitar o proteccionismo
- construir uma retoma ecológica e sustentável
O G20 apresentou um programa de 1.100 mil milhões de dólares destinado a apoiar o crédito, o crescimento e o emprego, e que passa, nomeadamente, por triplicar para 750 mil milhões de dólares os recursos do FMI, um apoio de 250 mil milhões de dólares ao comércio e vendas de ouro pelo FMI.
Restaurar o crescimento e o emprego
O G20 estima em 5.000 milhões de dólares até ao fim de 2010 o montante das somas injectadas na economia mundial e "compromete-se a providenciar o esforço orçamental necessário para restaurar o crescimento".
Compromete-se a "fazer o necessário para restabelecer um fluxo de crédito normal no sistema financeiro e assegurar que as instituições de importância sistémica permaneçam sãs".
Promete "fazer tudo o que é preciso fazer" para assegurar a retoma do crescimento.
Está resolvido a "assegurar uma sustentabilidade orçamental a longo prazo e a estabilidade dos preços e a pôr em marcha "estratégias de saída credíveis" às medidas de relançamento e de apoio ao sector financeiro.
O G20 compromete-se a não praticar a desvalorização das suas moedas para fins de concorrência.
Reforço da supervisão financeira e da regulação
"A confiança não será restaurada enquanto não tivermos devolvido a confiança ao nosso sistema financeiro".
O G20 vai reforçar a coerência das regulações nacionais e o quadro dos critérios financeiros internacionais, nomeadamente para "desencorajar as tomadas de risco excessivas".
Vai aplicar novos princípios "exigentes" à remuneração dos banqueiros e tomar medidas, quando estiver assegurado o relançamento, para melhorar o capital dos bancos.
O G20 vai "agir" contra as jurisdições não-cooperantes, designadamente os paraísos fiscais. "A era do segredo bancário terminou". A OCDE publica hoje una lista de paraísos fiscais.
As regras de contabilidade vão ser melhoradas e as agências de rating melhor enquadradas, nomeadamente para evitar "inaceitáveis conflitos de interesse".
Os ministros das Finanças terão de fazer um relatório sobre a aplicação destas decisões durante a sua próxima reunião na Escócia em Novembro.
Reforço das instituições financeiras mundiais
Além do reforço dos seus meios, o G20 quer "reformar o mandato, o campo de acção e a governança" destas instituições com o FMI ou o Banco Mundial, e promete terminar até Janeiro de 2001 uma revisão das quotas do FMI. Os dirigentes destas instituições serão nomeados de forma "aberta, transparente e baseada no mérito".
Resistir ao proteccionismo
O G20 reafirma que "se inibirá de criar novas barreiras" proteccionistas, até ao final de 2010, e continua empenhado na "conclusão ambiciosa e equilibrada " do ciclo de desenvolvimento de Doha.
Um recomeço justo e duradouro para todos
O G20 reconhece "o impacto desproporcionado sobre as pessoas vulneráveis nos países mais pobres", "a dimensão humana" desta crise e compromete-se a providenciar recursos suplementares. Promete fazer o que estiver ao seu alcance para que o relançamento seja ecológico.
Fonte: Jornal de Notícias

terça-feira, 17 de março de 2009

Há falta de dólares no mercado


Grande parte das casas de câmbios da cidade de Maputo não está, desde finais de Fevereiro, a vender dólares norte-americanos.Quando questionados sobre a causa da escassez do dólar os seus funcionários apenas dizem “há falta no mercado”. Noutros casos dizem “o dólar não está a entrar” e acrescentam “tente na casa ao lado”. A única casa de câmbio por nós identificada a vender esta moeda só o faz quando se trata de valores acima de dois mil dólares, mas mesmo assim, só depois de muita negociação e a um preço (29.500 Meticais) superior ao praticado no mercado informal, que regra geral apresenta a melhor oferta. Contactada uma fonte do Banco de Moçambique (BM) para perceber o que se está a passar esta apenas limitou-se a dizer que não sabe nada sobre o assunto. No entanto, um comunicado de imprensa do Comité da Política Monetária do BM que reporta sobre os desenvolvimentos económico-financeiros ocorridos nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2009, indica que o Banco permitiu a disponibilização, no mercado cambial, de divisas no valor de 61 milhões de dólares.O mesmo comunicado que,também, apresenta as perspectivas para o mês de Março de 2009, aponta que o saldo provisório das Reservas Internacionais Líquidas foi de 1.641 milhões de dólares, estando em linha com a meta prevista para o primeiro trimestre de 2009.Um economista que não quis ser identificado explicou que esta “crise” do dólar pode estar a ser gerada pelo problema de liquidez nos Estados Unidos, o que torna o dólar, que é uma moeda de negócio internacional, escasso. Outro economista, que também não quis ser identificado, alertou que está situação pode provocar, a breve trecho, uma subida dos preços, em especial de produtos importados, no país. Este economista justificou a sua posição explicando que o comércio internacional é feito com base no dólar e que se para adquirir dólares internamente o comerciante paga mais caro, obviamente ele terá de vender os seus produtos também a preços mais elevados de modo a recuperar o dinheiro investido na sua aquisição.
Fonte: Club of Mozambique